Relatório da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto, com base em estudos recentes sobre o tema, indica a necessidade de ações de educação financeira.
Um compilado de estudos feito pela Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) aponta que as apostas online ganharam escala e passaram a consumir recursos que antes eram destinados a despesas essenciais das famílias, como alimentação e vestuário.
Dados da consultoria PwC, citados pela Acirp, indicam que, nas classes C, D e E, 76% dos gastos que antes eram destinados ao lazer e 5% dos recursos voltados à alimentação estão sendo redirecionados para apostas on-line.
O volume anual gasto pelas famílias com bets já alcança R$ 50 bilhões, informa a associação.
“Temos um alerta importante sobre mudanças no comportamento de consumo. Isso afeta tanto o bem-estar dos trabalhadores, que acabam se endividando ao tentar lidar com as finanças pessoais por meio da sorte, quanto as empresas, que perdem a circulação dessa renda no comércio local”, afirma Sandra Brandani, presidente da Acirp Ribeirão Preto.
Perfil do apostador – O relatório da Acirp mostra que o perfil predominante do apostador é formado por homens jovens, entre 18 e 30 anos, de baixa renda. Revela ainda que 58% dos apostadores possuem dívidas em atraso há mais de 90 dias.
O relatório também aponta que “jovens estão adiando ou abandonando a faculdade em razão dos recursos comprometidos com apostas.”
Movimentação bilionária – A associação informa, com base em dados da Receita Federal, que, após a regulamentação da Lei nº 14.790/2023 – que estabeleceu a cobrança de 12% sobre a receita bruta do jogo (GGR) das casas de apostas e a incidência de 15% de Imposto de Renda sobre os ganhos dos apostadores -, a arrecadação com apostas digitais saltou de R$ 49 milhões, no ano passado, para R$ 7,9 bilhões, em 2025.
“O crescimento expressivo da arrecadação não deve ser interpretado automaticamente como resultado de uma expansão súbita do consumo, sendo mais consistente com o processo de formalização e de ampliação da incidência tributária sobre um mercado que já operava em larga escala”, analisa o economista Lucas Ribeiro, responsável pela organização do relatório. Apesar disso, segundo a Acirp, 88% da receita bruta do jogo (GGR) permanece concentrada nas plataformas de apostas.
O material compilado pela Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto destaca ainda que a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimam perdas de até R$ 103 bilhões para o varejo com as apostas online.
Diante desse cenário, a Acirp recomenda o monitoramento permanente do setor, o fortalecimento de ações de educação financeira e a realização de estudos regionais para orientar decisões de empresas e do poder público.
Fonte: Diário do Comércio.
